Apesar de partilharem o azeite, o pão e o vinho, as margens do Mediterrâneo cozinham de formas distintas. A margem ibérica traz gaspachos, paellas, caldeiradas, bacalhau em mil receitas e tapas. O Sul de França assina ratatouille, bouillabaisse e a salada niçoise. Itália domina massas, pizza e risotos. A Grécia oferece moussaka, souvlaki, tzatziki, saladas com feta. O Levante (Líbano, Síria, Israel) traz mezze, húmus, tabbouleh, falafel, kibbeh. O Norte de África entra com tagines, cuscuz, harissa. As técnicas comuns são poucas e simples: assar legumes no forno com azeite generoso, grelhar peixe inteiro, estufar leguminosas com ervas, esmagar alho cru com sal em almofariz, terminar tudo com limão e ervas frescas. Não há molhos pesados nem cozinhados longos demais — a matéria-prima fala por si.
Vinhos do próprio Mediterrâneo casam quase sempre: brancos frescos como vinho verde, vermentino, assyrtiko grego ou um rosé da Provença para peixe e legumes; tintos de corpo médio como Chianti, Côtes du Rhône ou um tinto do Alentejo para carnes e estufados. Em alternativa, água com gás e limão ou um chá de menta no estilo magrebino. Como acompanhamento, pão de qualidade é regra, junto com azeitonas, queijo fresco, salada de tomate maduro com cebola roxa e oregãos, ou legumes assados. No Verão, tudo pede gaspacho, melancia com feta, peixe grelhado; no Inverno, sopas de leguminosas e estufados.
Define-se por três pilares: azeite virgem extra como gordura principal, abundância de vegetais, leguminosas, fruta e cereais integrais, e proteína vinda sobretudo do peixe, dos ovos, do queijo fresco e, em menor medida, da carne. É também uma forma de comer pausada, em refeições partilhadas, com vinho moderado à mesa. Nutricionalmente, é considerada a dieta mais equilibrada do mundo, ligada a maior longevidade e menos doenças cardíacas.
Tenha sempre em casa um bom azeite virgem extra, alho, cebola, limão, tomate, leguminosas em lata (grão e feijão), atum ou sardinhas em conserva, azeitonas, queijo feta e ervas frescas (salsa, oregãos, manjericão). Com isto faz saladas de grão, massa com tomate, peixe assado, húmus rápido. A regra é simples: use azeite sem medo, não complique molhos, termine tudo com limão e ervas.
Pode, perfeitamente. Conservas de boa qualidade — atum, cavala, sardinha, anchova — são mediterrânicas até à raiz e dão pratos rápidos: salada niçoise, massa com atum e azeitonas, pão com sardinha e tomate. Acrescente leguminosas (grão, lentilhas, favas), ovos, queijos frescos como feta ou ricotta, e frutos secos. Há receituário inteiro do Levante, da Grécia e do Sul de Itália que não usa peixe fresco e funciona muito bem com despensa portuguesa.
É das mais recomendadas para gestão de peso e saúde cardiovascular, mas com uma ressalva: leva muito azeite, e azeite tem calorias. A vantagem é que sacia, é rica em fibra (legumes, leguminosas, integrais) e baixa em açúcar e gorduras processadas. Quem segue mediterrânico de verdade come menos carne vermelha, menos enchidos e quase nada de comida industrial. O efeito sobre a saúde está bem documentado.
Vinte a trinta minutos chega para a maioria dos pratos: peixe assado com legumes vai ao forno em 20 minutos sem mexer; uma massa com tomate e atum fica em 15; uma salada de grão com feta e tomate em 10. Estufados de leguminosas e tagines pedem mais tempo, uma hora ou mais, mas podem ser feitos em dose dupla e dão para vários dias. É uma das cozinhas mais práticas para o dia a dia.