O Sul (Geórgia, Carolinas, Luisiana) é provavelmente a região com cozinha mais própria: fried chicken, mac and cheese, collard greens, cornbread, pulled pork, gumbo e jambalaya da Luisiana com raízes francesas, africanas e espanholas. O Texas e o Midwest vivem de churrasco lento (brisket, ribs, pulled pork em fumeiro), chili e pratos de carne. A Nova Inglaterra traz clam chowder, lagosta cozida, lobster roll. Nova Iorque deu ao mundo o bagel, o cheesecake e a pizza de fatia. A Califórnia inventou a cozinha de mercado moderna — saladas com fruta, abacate em tudo, brunches. As técnicas dominantes: grelhar e defumar carne lentamente (low and slow), fritar com pano (panar e fritar peças inteiras), assar em tabuleiro único (sheet-pan dinners), cozinhar à base de marinadas doces e ácidas. Os 'molhos' americanos — barbecue, ranch, buffalo — são marca registada.
Cerveja é a bebida natural: uma IPA cítrica para pratos picantes e churrascos, uma lager simples para hambúrgueres, uma stout para carnes defumadas. Vinhos da Califórnia funcionam bem em casa — zinfandel para barbecue, chardonnay para frango assado e marisco. Iced tea adoçado é a bebida não alcoólica do Sul. Como acompanhamento, batata frita, batata-doce assada, mac and cheese, coleslaw, milho na espiga, feijão estufado (baked beans) e cornbread são quase rituais. No Verão, tudo pede grelhador e potato salad; no Inverno, chili, sopas cremosas, tartes salgadas. Termine com brownies, cheesecake ou tarte de maçã.
Existe e é riquíssima. A fast food é a cara de exportação, mas em casa os americanos cozinham receituário regional muito enraizado: o Sul tem séculos de tradição com influências africanas, francesas e indígenas; a Luisiana tem cozinha crioula própria; Nova Iorque herdou de imigrantes judeus e italianos. Há livros inteiros sobre cozinha de cada estado. Reduzir tudo a hambúrgueres e batatas fritas é como reduzir a cozinha portuguesa ao prego no pão.
Para um bom hambúrguer, compre carne picada com 20% de gordura, tempere só com sal e pimenta no fim, e grelhe em frigideira muito quente. Para pulled pork, asse pá de porco a 150 °C durante quatro horas com paprika fumada, açúcar mascavado, sal e alho — desfia com dois garfos. Mac and cheese: cozer macarrão, fazer um béchamel, juntar dois ou três queijos, levar ao forno. Para barbecue caseiro, ketchup, açúcar mascavado, vinagre de maçã e mostarda dão o molho-base.
Quase tudo, sim. Buttermilk substitui-se por leite com uma colher de sumo de limão, deixado 10 minutos. Cheddar americano por cheddar inglês (mais barato em Portugal) ou um queijo flamengo curado. Fumeiro a sério não se substitui em casa, mas paprika fumada espanhola dá uma boa aproximação. Cornmeal substitui-se por farinha de milho amarela portuguesa. Marshmallows e hot dogs já se encontram em qualquer hipermercado.
A de fast food e de restaurante de cadeia, sim. Mas a cozinha americana caseira pode ser perfeitamente equilibrada: grelhados de frango, peixes do Pacífico ou Atlântico, saladas californianas com abacate e fruta, pratos de feijão e milho de origem indígena, sopas e chowders de legumes. A cozinha do Sul é a mais farta; a da Califórnia é das mais leves do mundo. Como em todo o lado, depende mais do que se cozinha em casa do que do país.
Hambúrgueres caseiros com salada e batata: 25 minutos. Asas de frango no forno com molho barbecue: 35 minutos, sem trabalho. Sheet-pan dinner — frango, batata-doce, brócolos, tudo num tabuleiro com paprika fumada — 30 minutos e uma só loiça. Mac and cheese de raiz, 40. Os longos são o pulled pork (quatro horas no forno), o brisket (oito a doze horas) e o chili apurado, todos para fim de semana e melhores no dia seguinte.